Nada_flyer

Foto: Júlio Victor (Pandario). Flyer: Ana Paula Antunes

Dia 21 de agosto o Polifonia volta ao Centro Cultural Fundação CSN para promover mais uma importante experiência com a música autoral. O projeto Nāda, do músico Rafael Inácio (Volta Redonda), nasce na viola caipira e segue em um diálogo interessante com diferentes referências e sonoridades. O resultado é uma apresentação única com a participação dos convidados: Kleber e André (Stone House On Fire), Júlio Victor (Sasha Grey As Wife) e Maylson (Eu, Você e a Manga).

Mas não pára por aí! Seguindo a temática dos violeiros e cancioneiros, o Polifonia e o Projeto Nāda convidam o compositor Thiago Fernandes (Volta Redonda) para apresentar suas canções harmonizadas com o violão de 6 cordas. O artista disponibilizou uma série vídeos em seu canal no Youtube e aqui você confere a “Grande Nau”, gravada em parceria com o músico Raí Freitas.

O convite tá feito! Se você apóia iniciativas como essa, compartilhe a página com os seus amigos!


 DÊ O PLAY NO DISCO E CONFIRA A ENTREVISTA COM RAFAEL INÁCIO SOBRE O PROJETO NÃDA

Como foi o seu primeiro contato com a viola caipira?

Sendo da cidade (Volta Redonda) e não tendo nenhuma referência de viola ou da cultura caipira, acho que só a lembrança de Luzeiro, música de Almir Sater que abria o programa Globo Rural, e alguma coisa do Tonico e Tinoco, tipo “Moreninha Linda” que tocava nos alto falantes das festas juninas de bairro. Mas nada que desapertasse o interesse pelo instrumento. Esse interesse de pesquisar e tocar viola começou em 2011 a partir da audição um tanto frequente de uma adaptação de Folia de Reis chamada “Calix Bento” do disco Geraes do Milton Nascimento. A partir daí comecei a pesquisar sobre a viola e descobri um universo cultural e musical fascinantes. Fiz umas poucas aulas com Fabrício Santos, músico e professor aqui de Volta Redonda que também é pesquisador do universo da viola. Segui os estudos e a pesquisa sozinho através de métodos e da internet usando um violão de doze cordas com afinação de viola. Ter uma viola de verdade só em 2013. Ver e ouvir um violeiro genuíno mesmo só foi acontecer um ano depois que eu já estava estudando, quando tive o prazer de participar do II Seminário do Festival Voa Viola, cujo o tema foi “Vertentes da Viola no Brasil – Tradição e Inovação”, que ocorreu em maio de 2012 em Belo Horizonte, reunido violeiros de todo Brasil, tanto amantes e apreciadores do instrumento quanto os grandes nomes que representam a viola no Brasil e no mundo. Outro momento importante na minha formação foi em 2013 quando fiz o curso Viola nas Montanhas ministrado pelo Braz da Viola, músico, luthier e professor reconhecido em todo país.

Quem são os violeiros que inspiraram o projeto Nāda?

Acho que a maior inspiração para o Nāda é o trabalho do Ricardo Vignini e do Zé Helder com o Moda de Rock e o Matuto Moderno por ter uma abordagem rock and roll na viola. Tem também o Rodrigo Caçapa e seu experimentalismo e inovação. Essas referências são apenas inspiração mesmo, não toco nem tenho o talento desses caras, é mais a atitude. Roberto Corrêa e Braz da viola também tem uma influência direta considerando que grande parte do material que estudei veio deles e o trabalho começou calcado em exercícios desse material. Além dos citados tem os que gosto mais de ouvir como Pereira da Viola, Paulo Freire, Levi Ramiro, Tavinho Moura, Zeca Collares, Índio Cachoeira, Chico Lobo, Fernando Deghi, Ivan Vilela, Fábio Miranda, João Paulo Amaral do grupo Conversa Ribeira. E tem as lendas como Zé Côco do Riachão, Renato Andrade, Tonico e Tinoco, Tião Carreiro, Bambico.

Qual a origem do nome “Nāda”?

Nāda com o traço em cima é uma palavra em sânscrito, idioma da Índia com cunho religioso e usada em atos litúrgicos. O significado é SOM, daí há termos como Nāda Yoga que seria um método conseguir alcançar uma ligação com sua essência divina através do som. Quanto a pronuncia o traço em cima da letra indica que o A deve ser longo como se tivesse dois As e o som é fechado como se tivesse um acento circunflexo. A primeira vez que vi a palavra foi no título do livro “Nāda Brahma (o som de Deus) – A música e o universo da consciência” de Joachim-Ernst Berendt. Gostei da ideia e guardei para usar algum dia num contexto musical.

Quem participou das gravações do EP? Como foi o processo de somar com convidados?

Cada convidado foi um processo diferente. A ideia é a pessoa fazer o que quiser na música contando que não tivesse que mudar nada do que tinha feito na viola. O primeiro que convidei foi o Douglas Leal (Deaf Kids e Hierofante), por ele estar em São Paulo só nos encontramos uma vez pessoalmente antes da gravação e não tocamos, só conversamos sobre o trabalho. Depois disso nos encontramos novamente no estúdio já para gravar, ele resolveu o que ia tocar na hora e o negócio saiu com uma pegada meio Hierofante que é um projeto musical dele que eu gosto muito.

Com o Maylson Pereira (Eu, Você e a Manga) foi diferente, nos encontramos e passamos horas tocando, achando as harmonias já definindo o que seria gravado, nessa fiz até uma pequena mudança na quantidade de partes da música para adaptar ao que ele estava tocando, ou seja, a viola não é tão inflexível assim.

Convidei o Kleber Mariano (Stone House on Fire) e André Leal (Stone House on Fire e Buzz Driver) quando fui ao estúdio marcar a gravação e começamos a conversar sobre o Festival Polifonia. Quando falei que não ia gravar a música que gravei no festival eles comentaram que gostaram do som, aí chamei na hora, querem fazer essa? Eles toparam e criaram o arranjo juntos usando a gravação do Polifonia como guia.

Frederico Griman e Luiza Griman são meus companheiros na Camille Claudel, banda em que toco guitarra. Eles acompanham o projeto desde o início e a banda tem uma grande influência no trabalho como um todo. A música que eles iam gravar acabou ficando de fora do disco para ser usada em outra ocasião (é uma música linda, diga-se de passagem). Então gravaram a “Gastrite Blues”, eu anotei o que eu toco na viola e eles desenrolaram o arranjo e gravaram sozinhos no estúdio deles.

O Raphael Garcêz (Beatbass High Tech) é parceiro de muito tempo, já tocamos juntos em outros projetos e estávamos tentando fazer algo com viola antes de ter o Nāda. Nos encontramos antes da gravação pra tocar e ele resolveu usar viola também. Foi um dos dias mais divertidos no estúdio e além de gravar ele também chegou junto no dia de mixar a música dele e foi muito legal, um aprendizado pra mim.

Você convidou um time pra participar do show de lançamento do EP (Júlio, Maylson, Kleber e André). Outras apresentações contarão também com músicos convidados?

A ideia é sempre que possível ter convidados somando no projeto, seja em apresentações ou gravação. O mais legal disso é tocar a mesma música na viola com pessoas diversas e em situações variadas, aparecem aspectos diferentes do mesmo tema que eu nunca poderia imaginar.

O que podemos esperar do show dia 21 de agosto no Centro Cultural Fundação CSN?

Música instrumental com influências variadas e muita diversão. O show tá sendo preparado desde abril e todos estão se dedicando para soar como um trabalho coeso, uma unidade, não tem muito essa de destaque pra viola, todos tem liberdade pra tocar o que quiser, embora não seja oficialmente uma banda queremos soar como tal. Só o fato de ter o André Leal tocando um trecho de samba na bateria, o Maylson Pereira simulando uma sanfona nos teclados, Kleber Mariano fritando no Blues e o Júlio Victor com sua sutileza e segurança no baixo já vale a ida na Fundação.

Foi surpressa pra todos como o time se deu tão bem, o entrosamento foi fácil e gerou comentários do tipo – não imaginava que tocar com fulano seria tão legal… Acho que esse clima tá aparecendo no som, e vai estar no show também.

Verdade que o primeiro fonograma do Nāda foi gerado no Festival Polifonia?

Gravei a música “Nuvem Branca” na Cabine Jukebox no Festival Polifonia de 2014. Até aí tinha algumas músicas e a ideia era ser canções, com melodia e letra e se possível uma banda. Eu fiquei muito a fim de ver como ia ficar o som da viola passando pelo gravador de rolo e resolvi gravar o que eu tinha, só a viola instrumental mesmo. Saí da gravação com o projeto todo formatado na cabeça. Mesmo sendo temas simples, seria instrumental, teria que ter um nome e esse nome seria Nāda, ia gravar a viola sozinho sem depender de ter um grupo, ou uma banda, me virar com o recurso que tenho, tocando do meu jeito e depois convidar alguém pra fazer a piração só pra ver o quanto isso agrega na música e lançaria as duas versões. Essa gravação foi o ponta pé pra começar acontecer, dois meses depois eu estava no Estúdio Jukebox gravando o disco “O Que Você Vem Procurando” com os convidados e tudo mais. A execução nesse fonograma na verdade ficou bem tosca, eu estava nervoso, não conhecia o Kleber nem o André e nunca tinha tocado nenhuma das músicas na frente de gente que eu não conhecia, rolou um erro e tal, mas a ideia era essa, registrar o momento. Tá por aí na rede esse som.

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