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Polifonia apresenta: A Música da Alma (DUB) | POLIFONIA LAB
No dia 17 de dezembro de 2014, a banda AMPLEXOS, de Volta Redonda (RJ), disponibilizou seu mais recente lançamento: o disco “A Música da Alma DUB”. A ideia de reunir em um único disco produtores como Mad Professor, The Scientist, Victor Rice, Buguinha Dub e Prince Fatty foi muito bem recebida por quem já acompanhava a trajetória do grupo. A banda conseguiu viabilizar o projeto – que é um remix do disco “A Música da Alma” (2012) – através de financiamento coletivo. São aproximadamente 60 minutos de efeitos espaciais, psicodelia, graves e detalhes sonoros. A banda, que também foi destaque no FESTIVAL POLIFONIA 2014, já prepara novidades para 2015. Encontre seu fone, dê o play na setlist e confira o encarte digital produzido pelo Polifonia com fotos, entrevista e depoimentos de produtores que participaram do projeto. A MÚSICA É A ARMA!

 Na ordem das fotos: Victor Rice (USA), Mad Professor (GUY), DubAtaque (BRA), Prince Fatty (UK), Buguinha Dub (BRA), Estúdio Casa (BRA), Monstruoso Sistema de Som (BRA), Thomas PatagoniaDUB (CHL), The Scientist (JAM) e Beatbass High Tech (BRA). 

MASTERIZADO POR FELIPE TICHAUER EM MIAMI, FL (EUA) REMIXADO EM DIVERSOS ESTÚDIOS PELO MUNDO 1. Falsa Salsa – Victor Rice (USA) 2. Boladão – Mad Professor (GUIANA)
3. Sim – DubAtaque (BRASIL) 4. Making Love – Prince Fatty (REINO UNIDO) 5. Afrobeat – Buguinha Dub (BRASIL) 6. Filho – Estúdio Casa feat. Mc Lelin (BRASIL)
7. O Homem – Monstruoso Sistema de Som (BRASIL) 8. Mistério – Thomas PatagoniaDUB (CHILE) 9. Festa – The Scientist (JAMAICA) 10. Leão – Beatbass Hightech (BRASIL)

 

“De todos os registros nacionais lançados em 2012, A Música da Alma, último álbum de estúdio da banda Amplexos, é sem dúvida um dos mais curiosos e inventivos. Capaz de garantir rumo seguro ao Reggae e Dub, o disco encontra em passeios pela década de 1970 e viagens pelo Afrobeat, um princípio de novidade, reflexo que conduz a atuação de músicas como Sim (…). A Música da Alma está em 26º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012.” (no blog Miojo Indie)

 Amplexos no Festival Polifonia – fotos por: Marcela Aguiar / Estúdio Casa – fotos por Ana Costa. 

Confira a entrevista com  Eduardo Valiante (voz e guitarra)

“Não costumo definir o som da Amplexos, nem gosto de fazer isso – fazer parte de uma “escola” (um estilo) é a mesma coisa que ser condenado à prisão perpétua, parafraseando algum poeta que eu não to lembrando aqui, talvez, Mário Quintana. Mas eu acredito que o som seja algo entre o rock e a música negra (em geral): funk, soul, afrobeat, reggae, samba. A gente gosta de fazer música suingada, com balanço, mas o Amplexos é uma banda de rock em essência.” (Eduardo Valiante, também conhecido como Guga)

Como rolou o seu primeiro contato com o dub?

Acho que primeiro foi escutando os discos dos Paralamas e Bob Marley, quando era criança, mas eu ainda não sabia o que era. Fui descobrir que o dub existia lendo revista de música, não lembro bem qual e nem quando. Depois fui enxergar mesmo o dub no som do Rappa, do Nação Zumbi, em disco e em show. Aí em 2006 o Lucas Santtana lançou o disco “3 Sessions In A Green House”, que foi todo gravado e “adubado” ao vivo pelo Buguinha Dub, que foi produzir nosso disco bem depois, em 2012. Esse disco do Lucas me fez querer iniciar uma pesquisa no dub que dura até hoje.

Como é a experiência de ouvir uma música sua remixada por expoentes do dub, do Brasil e do mundo? O que foi levado em conta na escolha dos produtores?

É emocionante, passam milhões de coisas pela cabeça e é sempre surpreendente além do esperado, porque o dub é imprevisível, ainda mais quando se trabalha com vários produtores diferentes. Na escolha foi levado em conta a nossa admiração por cada um desses produtores, somos fãs de todos e também amigos de alguns deles. A gente queria que esse fosse um projeto internacional, envolvendo vários países, gerações, e os caras daqui também. Acho que foi tudo isso que a gente se propôs e conseguiu.

O primeiro disco foi lançado em 2008. Fazendo uma breve restrospectiva de 2014 para 2008, o que mudou na forma como você “vivencia” a banda?

Mudou bastante coisa, hoje o trabalho com o Amplexos é o que move as nossas vidas, a de cada um de nós integrantes. Na época (2008), esse processo tava bem no começo, a gente ainda tava se descobrindo. Hoje o tempo de vida que eu dedico à banda é bem maior, é praticamente todo o meu dia – porque ainda tem o lance da Casa (o estúdio), que é também escritório da banda e núcleo de produção. As coisas se confundem mesmo e é assim que é.

Fale um pouco sobre o aprendizado proporcionado nas ações de rua. Como é feita a pesquisa que vocês citam no release sobre o comportamento humano?

Fazer show onde todo mundo tá no lugar pra te ver/ouvir é “fácil”, mas na rua a gente é sempre uma surpresa. Ao mesmo tempo que chama a atenção, justamente por ser uma surpresa, na rua só fica te assistindo mesmo quem quiser assistir. É gente indo e voltando do trabalho, muitas vezes sob stresse, no meio dessa babilônia que a gente conhece, em que ninguém tem tempo “a perder”. Essa pesquisa veio da necessidade de dialogar com essas pessoas nas ruas, de fazer chegar a mensagem dentro de um ambiente totalmente imprevisível e muitas vezes pouco convidativo.

É uma pesquisa muito mais individual, de cada um da banda. Cada um de nós tem a sua própria pesquisa sobre o que é estar em contato com essas pessoas dessa forma. Eu, em particular, estou bastante interessado na linguagem, na comunicação, em como tentar ampliar de fato o alcance da nossa música e encostar profundamente no coração dessas pessoas. Como conquistá-las e fazê-las pararem pra ouvir? Como chegar? Como essa comunicação pode ser mais eficiente? Como desligar essas pessoas da rotina naquele pequeno espaço de tempo? Do que essas pessoas precisam naquele momento? Como a minha mensagem deve ser colocada?

Esses e outros questionamentos ainda não foram totalmente respondidos, mas o fato é que a nossa comunicação hoje é mais ampla do que era antes dos shows de rua. Hoje a gente “sabe chegar”, tem muito mais facilidade de trocar (e uma troca real, não aquela da superfície) com qualquer tipo de pessoa. Estamos aprendendo, e isso vem de uma segurança no trabalho mesmo, no que a gente tá fazendo e vivendo e da nossa vontade mesmo.

A gente, que faz música “alternativa”, acaba atingindo um certo número de pessoas, um nicho bastante específico, por ser uma música que não tá na rádio, na tv, que depende de internet, que é diferente do comum, por esse e por outros tantos motivos. Mas eu acredito que a gente tem que ultrapassar essa barreira, ir além disso. Não adianta chegar em somente um tipo de pessoa! Não é o que eu quero pra minha música, eu não tô satisfeito com isso. Se não tá rolando de chegar em mais gente, é preciso olhar pro próprio trabalho, juntamente observando o comportamento dessas pessoas e lutar pra aumentar esse alcance, sempre com verdade. É um desafio grande.

É muito difícil administrar uma banda e um estúdio? Como vocês se organizam no trabalho?

É difícil, sim. Especialmente na questão de dividir tempo e espaço físico. O Estúdio Casa, além de ser um estúdio aberto ao público, é o “QG” da banda e de outros artistas, e um núcleo de produção – por lá se produz não só música, mas os eventos, trabalhos visuais, pensamentos. Na prática, nossa organização de horários é mais ou menos assim: na parte da manhã (a partir das 8h) ocorrem as reuniões do Amplexos, diariamente, com todos os integrantes. Esse horário é dividido também com ensaios da banda. É o horário fixo da banda trabalhar junta, com todos juntos. Outras reuniões podem e acabam acontecendo ao longo do dia, mas aí não tem tanto a “obrigatoriedade” de estar todo mundo. Acabam sendo encontros específicos das frentes (a banda se divide em 3 frentes de trabalho compostas por 2 integrantes cada um, com funções e responsabilidades específicas). Geralmente, essas reuniões vão até no máximo meio-dia, que é quando cada um sai pra fazer seus “corres”, pessoais ou não. Das 15h30 às 19h30, é nosso horário fixo de trabalhar nas produções da casa, na técnica. É a hora de trabalhar nas mixagens das gravações que a gente faz – eu, Tolen e Martché.

Durante todo o dia também rolam os ensaios de outras bandas e artistas, já que a Casa é aberta e a gente aluga o estúdio pra isso. Além disso, passa muita gente pela casa o dia todo pra trocar ideia, tomar um café… o que é ótimo! Mas às vezes acaba atrasando o nosso lado, é até legal abrir aqui esses horários pro pessoal ficar ligado que a gente tá no corre o tempo todo (risos).

Podem chegar à vontade pro café, mas muitas vezes a gente não vai poder dar aquela atenção que a gente daria normalmente. Aí, acaba que esse horário de 15h30 às 19h30 é muito pouco pra trabalhar nas produções, então a gente acaba virando noite, saindo da Casa bem tarde, quase todo dia. É uma maluquice.

Quem são os artistas que o Estúdio Casa produz? 

Cada caso é um caso, a gente tá aberto pra produzir quem vier e tiver trabalhando com verdade, com amor, com responsabilidade. Pode acontecer da gente ir atrás, mas até agora geralmente é o artista que tem chegado – muitas vezes o cara vem pra fazer um ensaio, vai virando amigo, trocando experiências, e aí, na hora de gravar, a conexão já tá feita. Foi assim com o R.9.3, que lançou o EP “Confronto de Rua”, baita orgulho nosso em ter produzido. Com o Raí também, mesma coisa, mesma satisfação. Tem o Pedro, que lançou o EP “Vibração”, genial. E aí tem alguns artistas que estão sempre produzindo lá, Thiago Elniño, Beatbass High Tech, Amplexos (claro!) e Tolen.

Em 2015 a gente tá afim de trabalhar em produções novas, de artistas novos, que ninguém nunca ouviu falar, vamos nos dedicar nessa fita. Tamo aí pra trazer à tona discursos necessários e música transformadora.

Como eu disse, o estúdio é tocado por mim, Tolen e Martché, que é quem trabalha com as gravações, mix, master, produzindo mesmo. Mas os outros integrantes da banda acabam se envolvendo direta ou indiretamente, seja contribuindo com alguma gravação ou até mesmo com ideias. Aí tem outros tantos amigos que ajudam nessa, como o Raphael Garcêz, sempre com boas observações, tendo sempre muito a contribuir.

Na sua opinião, qual foi o momento mais marcante de 2014 para o Amplexos?

Pra mim foi o lançamento do single “Jerusalém“, que foi uma música que surgiu muito do nada, urgente. Fizemos base, letra, gravação… tudo em tempo recorde, por absoluta necessidade de dizer aquelas coisas.

O que vem pela frente em 2015? Pode antecipar alguma novidade?

Vem trabalho novo, de inéditas. Ainda não tem nada pronto, só umas faíscas, como disse meu irmão Mestre André esses dias num papo. Mas é nosso planejamento lançar algum trabalho ainda nesse primeiro semestre e a gente vai trabalhar duro por isso. Ainda não dá pra dizer se é um EP, um compacto ou disco novo. A música é que vai dizer. Tem um “peso” por conta do “A Música da Alma”, que foi um disco importante, chegou em muita gente de um jeito muito especial. Tem muita gente esperando por esse novo trabalho.

A gente adquiriu uma bagagem nesses 2 anos de disco que não tinha, nos transformamos mais uma vez. Essa responsabilidade, particularmente, me faz querer trabalhar no máximo e lançar algo realmente especial – sempre é assim, mas dessa vez é diferente porque tem muita gente conhecendo, esperando e se perguntando “qual é a música que esses caras vão fazer?”

Esse último ano foi bem correria pra gente, a gente se organizou demais burocraticamente, eu caí numa maluquice de trabalho que me afastou um pouco do papel e da caneta. A escrita foi ficando rara, faltou um pouco de cabeça e concentração pra escrever e compor. É o mal dos tempos modernos de podar a nossa criatividade, da gente não conseguir tempo pra contemplação, pra oração, pra experimentação. Fiquei um pouco “dopado” dessa correria e da necessidade de me manter na cidade. Tô me recuperando agora e podem crer que vamos chegar mais fortes do que nunca. Temos muita coisa pra dizer, muito som pra fazer.

Espaço aberto. Deixe uma mensagem para quem você quiser.

Deixo primeiro uma mensagem pro pessoal que acompanha a gente e gosta do trabalho: agradeço imensamente a força de vocês, o apoio e o carinho, esse ano conseguimos viabilizar um projeto através de financiamento coletivo (A Música da Alma DUB), como tinha sido com o clipe SIM. Isso mostra o quanto as pessoas acreditam no nosso corre, nas coisas que a gente tem pra dizer… só nos dá força. Queria pedir que continuassem espalhando essa mensagem e esse som pro mundo, através dos amigos e amigos de amigos… é o melhor jeito da gente conseguir viver disso, é assim que a gente tem conseguido.

E uma mensagem um pouco mais geral, que eu deixo especialmente pros irmãos que trabalham com música (já que a entrevista sai no Polifonia, que concentra uma quantidade grande de artistas): é pra que pensem na música, antes de pensar em qualquer outra coisa (grana, roupa, visual, cenário, site, redes sociais). Se preocupem com a música que vocês estão fazendo, vocês são músicos, precisam se atentar ao que dizem no microfone, nas energias que passam e no que vocês oferecem pro público e pra vocês mesmos. Temos um poder gigantesco de influenciar os “menorzin” e toda uma juventude, e isso pode ser usado da melhor forma possível.

Estejamos vigilantes, com os olhos e ouvidos atentos ao que acontece no mundo e ao nosso redor! E que o amor de Deus esteja com vocês. Até breve!

Numa época em que provavelmente existe mais gente fazendo afrobeat no Brasil do que na Nigéria, fazer uma banda nessa linha que tenha alguma relevância é um trabalho enorme de refinamento musical. E aí está o trunfo do Amplexos. Nesse segundo disco, dub, afrobeat, soul e funk se juntam em ambiências construídas meticulosamente – nada parece fora do lugar. (Matteo Ciacchi, do blog Odhecaton em 12.11.2012)

 

Confira depoimentos de quem participou do disco “A Música da Alma (dub)”

“As idéias surgiram ao longo do processo. Quando recebi a música ouvi tudo separado pra ver os elementos que eu achava mais interessante usar e modificar. Aí veio a ideia de fazer mais um beat por cima. Agora nosso plano é fazer um Riddim com os elementos da música SIM.” (MATEUS PINGUIM, DUB ATAQUE)

“O Homem sempre foi uma das minhas faixas preferidas do álbum, e de cara, quando recebi o convite, pedi para fazê-la. A Música da Alma sempre soou muito dub na minha mente e imaginava novas passagens dub para várias músicas. Mas nesse caso, de O Homem, fui experimentando bem no improviso, colocando e tirando elementos, às vezes seguindo o enredo original, e às vezes não. Por fim, juntei os melhores momentos de vários takes, formando a versão final. Optei por usar somente equipamentos antigos – mesa de som antiga, 2 ecos analógicos e reverb de mola. Somente o phaser que foi digital, porque não tenho o analógico ainda. O computador foi usado somente para reproduzir as faixas, sem nenhuma edição. Pensava em fazer uma continuação da versão original, um lado B, mas a música é muita longa, quase nove minutos de duração, então acho que essa versão dub acabou ficando como lados C e D.” (DANIEL SPINOLA, MONSTRUOSO SISTEMA DE SOM)

“Quando escolhemos qual música remixar já pensamos em construir uma outra música a partir das faixas abertas. A primeira coisa foi o beat dancehall feito no Fruit Loops no lugar da bateria. A partir do beat pronto separamos os canais na mesa para dubear. A música tem a influência de produtores de música dub como King Tubby, Lee Perry, Jah Shaka, King Earthquake e outros. Foi legal dar uma nova visão para a música. A linguagem que o Dub fala é um convite a ouvir a música com outras percepções além de ser revolucionária na música eletrônica mundial. Mixar analogicamente é uma forma de arte moderna genuína oriunda dos guetos jamaicanos difundida no mundo todo. Foi uma honra participar desse disco com todos os outros produtores que somos fãs. Tivemos a liberdade de fazer o que queríamos com a faixa Leão e o resultado foi uma jóia!” (RAPHAEL GARCÊZ, BEATBASS HIGH TECH)

“O processo criativo é um entrega doida né? Você sabe aonde quer chegar, e o caminho as vezes, não se torna tão claro, mas pira na idéia e vai com tudo. O processo favorece muito às experiências com os timbres utilizados no beat, saber que cada peça não foi jogada ali à toa, as nuances do ritmo, dialogar com a levada dos outros instrumentos e a voz do Guga, afinal, “Leão” é uma canção sensacional. Rapha trouxe o beat, mexemos em algumas coisas juntos pra deixar o bang mais quente. Os dubs foram pilotados por ele, eu apenas dei algumas idéias de como poderia soar pra que a música ficasse com uma boa dinâmica. Acho que o resultado foi muito satisfatório e ficamos muito felizes de participar desse maravilhoso projeto.” (PABLO DUCA, BEATBASS HIGH TECH)


Acesse o site da banda e baixe grátis “A Música da Alma Dub”: www.amplexos.com  |  Conheça o Estúdio Casa Espaço Criativo

Esta publicação é um “encarte digital” produzido pelo projeto Polifonia.art.br. Se você ouviu o disco “A Música da Alma DUB” e curtiu o resultado, publique um depoimento aqui. Faça parte deste encarte postando um comentário no campo abaixo.

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